Músico faz Jam em casa de cultura

Folha de São Paulo - Equilíbrio, quinta-feira 29 de novembro de 2.000

O percussionista Marcos Susano não pára. Entre uma ponte aérea e outra, antes De embarcar para Recife onde ao lado de Gilberto Gio,é o diretor artístico Do percpan, um dos maiores festivais de percussão do mundo, ele deu uma esticada até a periferia de Campinas para conhecer a Casa de Cultura Tainã, a Convite da “Coluna Social”. A tainã é um espaço cultural aberto e gratuito , criado pela comunidade para a Comunidade.

Oferece música, produção e restauração de instrumentos, dança afro, Informática, discoteca e biblioteca.“Quando chega terça-feira 19h, as alfaias(tambores de maracatu) começam a bater e ressoam para os 50 mil habitantes que nos cercam. Alguns acham aquele som mais interessante que a novela e vêm aqui. A música é um instrumento de tocar a alma. A partir dela, a gente fala de educação, saùde, cidadania. Não estamos preocupados em construir métodos educacionais, mas em atrair as pessoas e trocar informações”, diz Antonio Carlos Santos Silva, 49, o “TC”, um dos fundadores da Tainã.

“TC” é um dos poucos músicos no Brasil que domina a técnica de produção dos tambores de aço, também conhecidos por “steel pan”, instrumentos usados pela população negra das ilhas de Trinidad e Tobago. Ao saber disso, Suzano ficou de queixo caído: “Quem iria imaginar que vocês estão fazendo tambor de aço em Campinas?”. Esse tambor é um panelão originalmente usado para fazer churrasco. Os africanos tiveram a cultura reprimida, aí eles pegaram esses tambores que a marinha inglesa deixou por lá, sacaram que saia som e dividiram em notas e escalas musicais. O processo de fabricação é super simples, é só moldar a chapa com martelos de vários tamanhos.Moldar demora um mês, agora afinar é outra história, um braço fica maior que o outro de tanto dar porrada. Demorei cinco anos para construir e afinar o primeiro tambor”, conta TC. Essa foi a primeira vez. “Esses meninos, mexendo assim com instrumentos, daqui a dez anos, fácil, fácil, vão tocar muito bem, um vai estar tocando pandeiro bem, outro, tambor bem.

A música purifica, dá uma onda diferente nas pessoas e a Tainã abre uma perspectiva que vai além da música e da dança , cria uma postura de comunidade”, diz Suzano, e sem perder tempo saca seus pandeiros e solta a mão para ensinar as pegadas e os ritmos que fizeram dele uma referência internacional para outros músicos. Senti muita afinidade porque eles querem mais é ver o circo pegar fogo.

O negócio é passar o que sabe para o maior número de pessoas e não ser guardião de uma idéia. É isso que eu vi aqui. A batucada pegou forte. Suzano fez uma jam com os músicos da Tainã, gravou ritmos e instruções para serem estudados no futuro por mais pessoas e também gravou uma base para o samba enredo da escola de samba da comunidade. O tempo voou, e o moço quase